APAR(ê)ÇA
abril 8, 2009
O trem dá o primeiro sinal: surgem artistas que se articulam em diversas formas, alguns são riscos no chão de pedra d´ouro preto, outros são rajadas de vento que se deslocam pelo mundo.
O trem dá o segundo sinal: meninos de pé no chão e senhoras de saia comprida brincam de roda com sararás rastafari que vendem brinco de coco. Noutro ponto alguém declama Drummond.
Terceiro apito de trem: todos juntos fazem a máquina dar rodopios no ar, como pipa do céu de junho. Quem ainda não chegou, o bilhete é um pouquinho de si. Vamos juntos, viajar é achar pedaços de ouro no quintal de casa. Apar(ê)ça, apar(ê)çam: gente é lenha, o trem é mais forte quando todos são maquinista e máquina e o trilho é a arte que se desloca (vibra, gesticula, emociona) sobre a vida: “navegar é preciso, viver não é preciso” (Fernando Pessoa).
